Casamento da irmã de um amigo meu, hotel fazenda, dia bonito, Carneiro e porquinhos no rolete, breja gelada e farta.
Precisa mais? Então toma. Ela fez psicologia, ou sejE, muitas amigas, muitas!
Sempre dizem que casamentos são ótimos pra se arrumar com alguém, tem até o filme do suicida que não morreu falando sobre isso.
Eu particularmente nunca havia me arranjado em casamentos até o casamento depois desse, que seria na outra semana, em outro contexto, mas isso não é o foco agora.
Todo mundo lá, aquela maravilha, pessoal ainda sóbrio, festa começando e várias promessas no ar.
Mocinhas de um lado, mocinhos de outro. É a guerra a moda antiga. Campo de batalha, exércitos posicionados, um ataca, outro defende e assim vão se alternando até a hora da batalha final, o mano a mano, o pega pra capá! Só que nesse caso o resultado é sempre bom pras duas partes, citando Elba, nas trincheiras da alegria o que explodia era o amor!
Pois bem, dado momento, quando as caipirinhas de multiplas frutas começaram a fazer efeito, a galera inicia os trabalhos.
Pessoal não tava pra brincadeira, aquilo tava um Deus nos acuda daqueles cobra querendo comer cobra (sem duplo sentido).
Como em todo lugar, sempre há uma ‘Rainha da Festa’, aquela cuja a primeira flor da primavera é sempre dela. Alí não seria diferente.
Lá estava, linda, loura, impecável de sapatos à cabelo. Nenhum defeito mesmo. Coisa de cinema, como dizem por ae.
Alguns se arriscam, outros tropeçam, e ela lá no topo de seu pedestal maior. Simpática e sorridente como uma Miss. Que mulher.
Chega a hora, ela já tem seu escolhido no baile do palácio, eles se beijam, trocam carinhos, ele suprime a vontade de sair pulando e gritando ‘catei, catei, sou foda pra caralho!!!’ numa expressão blasè de ‘tô acostumado, nada além da minha média’. O mundo baba e comentários baixinhos rolam, ‘vc viu, vc viu? Fulaninho tá fraco não, cara tá podendo…’.
Mais ou menos aquela cena de quando seu time precisa fazer um gol pra se classificar e, aos 43min do segundo tempo, o outro time faz mais um. A torcida assume a derrota e sai cabisbaixa do estádio.
Eu, obviamente fico de mané na história depois do comentário ‘ah, ela é bacana mas não me apetece, espetacular demais’.
Claro que vc deve estar achando que isso é dor de cotovelos ou coisa assim, agora o blasè sou eu…
Mas não, há mais nessa frase que se possa ver a olhos nus. Bonita demais não é pejorativo a ela, longe disso, ela é indiscutível, verdade absoluta. Bonita demais é uma homenagem a todo o restante das garotinhas de aparelho, sem peitinhos e bundinha magra da escola. A todas aquelas que as mães obrigavam a usar chucas, usavam botinhas ortopédicas calças largas de abrigo. Com seus cambitos secos e sardas (particularmente, amo sardas) mas que hj cresceram, se descobriram e se tornaram as mulheres interessantíssimas que tanto amamos e tanto desejamos ver descabeladas e de olhos meio inchados pela manhã com uma camisa larga e velha nossa que ela coloca pra ir escovar os dentes.
A verdade é essa, tem que ter ruido, tem que ter aquele defeitinho que vc acha que só vc percebe e que ela faz de tudo pra esconder. Uma pontinha de orelha saindo pelo cabelo, um dente quase em cima de outro, um nariz meio grande, um cabelo colorido, uma carinha meio enferrujada de sardinhas estratégicamente bem colocadas, uma pinta meio fora de lugar… enfim, ruido!
O foda, a armadilha, é que esse tipo de mulher chega de fininho, vc não dá muita atenção. Um dia vcs trocam meia dúzia de palavras, outro mais uma dúzia, vc descobre que ela ama Radiohead, adora cinema, curte Artes Plástica, tem cabelo colorido, odeia casais xexelentos, não nega um boteco honesto, se veste bem (não falo de mega-produções, salto não entra nesse conceito), tem sardas pelas costas inteira e canta Elis com uma voz de cerveja belga (achei coisas doce muito piegas) olhando bem no fundo do seus olhos e com um sorrisinho de canto de boca…
Já era! Vc está na lama. Deliciosamente na lama.
Por: Lauro